domingo, 3 de março de 2013

90 anos de majestade

As nove décadas de vida da cantora e atriz Marlene, 
a Rainha do Rádio, são detalhadas na biografia 
A Incomparável

Victoria de Martino Bonaiute é o nome de batismo, mas o Brasil inteiro a conheceu gritando o nome que a consagrou: Marlene, acrescido do adjetivo ‘incomparável’. “Não sei se foi por causa da atriz de cinema, porque eu não conhecia a Marlene Dietrich, nem sabia, nem ia ao cinema. Mas gostei”, recorda a cantora no livro ‘A Incomparável’ (ed. Imprensa Oficial, 264 págs., R$ 30), sua biografia, escrita pela jornalista Diana Aragão.

A autora conta que a missão de resgatar tais memórias com a artista não foi nada fácil. Foram vários encontros, iniciados em outubro de 2009 em seu amplo apartamento de Copacabana, trocado depois por um menor, no mesmo bairro.

“Ela completou 90 anos em 2012 e nessa idade a pessoa costuma se perder um pouco, o que foi agravado com a mudança de casa. Ela começou a misturar coisas, como dizer que lançou o Milton Nascimento, quando na verdade quem ela realmente lançou foi o Gonzaguinha”, descreve Diana, que, ainda assim, conseguiu reconstruir minuciosamente a trajetória de Marlene.

Claro que as polêmicas com a rival Emilinha Borba, que perdeu para Marlene o concurso de Rainha do Rádio em 1949, também estão no livro.

“A Emilinha ficou com ódio da derrota, mas com o tempo isso se ameniza. Elas não ficaram amigas íntimas, nunca ficaram, mas se falavam”, explica Diana.

Artista completa, Marlene não se limitou ao canto, mas também foi atriz, e atuou na televisão, no cinema e no teatro.

“Ela foi a primeira brasileira a cantar no Olympia, de Paris, convidada por Edith Piaf, que se encantou por ela. Além disso, também foi compositora, e isso nunca foi muito falado”, ressalta a autora.

“Ela ficou rica com a profissão. Não entendi por que teve que mudar para um apartamento menor. Ela só tem um filho, que adonou-se dela. Hoje, mora sozinha com cuidadores. Mas essas são questões familiares que não me cabe julgar”. LSM

TRECHO DO LIVRO ‘MARLENE, 
A INCOMPARÁVEL’
“Eu lutei muito, sofri muito. Eu acho que todo mundo sofre quando quer chegar a um ponto. Eu não sabia a que ponto chegaria, mas fazia aquilo entrar no meu coração, e Deus me ajudou sempre, me encaminhou pela vida afora. São 70 anos de profissão, e eu fico orgulhosa com o que consegui. Porque o que eu mais queria conseguir, eu acho que consegui, mas não era essa intenção minha não, eu queria alegrar todo mundo, (...) a vida sem alegria não vale nada, absolutamente nada. (...) E estou feliz hoje porque gosto muito de gente, mas é muito mesmo, quando eu estou sozinha eu choro, não gosto de ficar sozinha. E consegui a amizade de todos os meus fãs, eu acho, então é isso que me faz feliz hoje”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário